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26 outubro 2002

Nelson Freire


Discografia de um dos magos do piano

Salve Pessoal!
Depois que comecei a juntar a discografia completa da Guiomar Novaes (hoje só faltam 1 CD e dois 2 LPs), decidir ir atrás das gravações do Nelson Freire também, que é um fã assumido da Sra. Novaes. Pos bem, no princípio eu achei que seria fácil juntar seus discos porque imaginava que eram poucos, talvez meia dúzia deles resumiriam toda a produção discográfica do Nelson. Eu não poderia estar mais longe da realidade. Os discos são difícies de se conseguir, e diferente do que eu achava, ele gravou cerca de 30 discos, sendo o primeiro deles aos 12 anos, e o mais recente aos 58, com os estudos Op.25 e póstumos do Chopin.

Começaria então uma busca que até agora já durou cerca de 5 meses, e que felizmente tem tido muitos progressos. No início eu possuía os discos em que ele toca Villa Lobos (1973), o recital ao vivo no Teatro Municipal do Rio (1980), e o volume 29 da coleção "Great Pianists of the 20th Century" (1999) com um excelente álbum duplo contendo relançamentos de algumas de suas gravações mais impressionantes. Além disso, havia pego emprestado com um amigo de meus pais os LPs com a integral das Bachianas Brasileiras do Villa Lobos, regidas pelo Isaac Karabtchevsky, e para minha surpresa quem toca a No.3 (em forma de concerto para piano e orquestra), é o próprio Nelson Freire.

Depois descobri um outro aficcionado pelo Sr. Freire que é o meu amigo André Dolabella, da minha idade, e que certamente se tornará um de nossos grandes pianistas (aguardemos a volta dele de seus estudos na Alemanha, para entrar novamente no meio pianístico brasileiro). Com ele consegui cópia de um disco que até hoje não achei em nenhum outro lugar: os 24 prelúdios do Chopin (1970), e através de um amigo que me foi apresentado pelo André, o Daniel, chegou a minhas mãos cópia do CD com os dois concertos do Liszt e a segunda gravação do Totentanz (1994).

Mais tarde comprei da gravadora L'Art um disco por que há muito estava interessado, com um recital inteiramente dedicado ao Chopin gravado na Alemanha (1980). A valsa do minuto presente nesse disco é uma das coisas mais impressionantes qeu eu já vi em matéria de ataque de notas.

Na mesma época consegui cópia do CD duplo "Duo Piano Extravaganza", em que a Argerich toca com o Freire algumas interpretações impressionantes da Suíte No.2 do Rachmaninoff, La Valsa do Ravel, Variações sobre um tema de Paganini de Lutoslawsky (1982), Concerto para dois pianos e percussão do Bartok, Carnaval dos Animais (1985), e Sonata para dois pianos e percussão do Bartok (1993).

Há cerca de 2 meses consegui com uma colega de piano, minha amiga Luiza Salles, um LP raríssimo de 1964, em que o Nelson toca aos 19 anos depois de ter ganhado o concurso internacional Vianna da Mota. Por coincidência quase no mesmo dia minha professora de piano, Elza Gushikem, volta de São Paulo com o primeiro disco que ela comprou na vida: o também primeiro disco do Nelson, tocando com 12 anos (1957)!! Este é provavelmente o mais precioso de toda a coleção, onde nós podemos ouvir uma criança tocando peças de enorme dificuldade como o Estudo Op.10 No.4, a Balada No.4, e o Scherzo No.1 do Chopin.

A partir de então eu estava próximo de alcançar a discografia completa do maior pianista do Brasil, mas não tinha a mínima idéia de como poderia conseguir alguns dos CDs que nunca chegaram aqui no Brasil (praticamente todos foram gravados no exterior), e os LPs que nunca foram relançados em CD. No entanto, mais uma vez a sorte viria de encontro a essa busca.

Um dia recebo uma mensagem via ICQ de uma americano (cujo nome eu vou omitir, pois ele prefere ficar no anonimato), que estava interessado em trocar gravações do Nelson . Ele havia me achado nas páginas brancas do ICQ procurando por pessoas com interesse em trocar discos. Por acaso ele possuía outros 7 discos do Nelson que eu não tinha, e que ficou feliz em me mandar quando eu copiei para ele os dois raros LPs de 1957 e 1964. São eles: Concertos de Tchaikowsky e Grieg (1968), Concerto de Schumman (1968), três discos com obras de Chopin, como os 4 Scherzos, noturnos, e algumas peças soltas (um de 1974 e dois de 1976), o famoso recital no Roy Thomson Hall, Toronto, Canadá, gravado no ano em que eu nasci (1984), e um disco por enquanto de data desconhecida contendo os estudos sinfônicos do Liszt dentre outras peças. Se tudo der certo, em breve conseguirei com a mesma pessoa o recital gravado no Gusmann Cultural Center em Miami (1984).

Outro dia minha professora, a Elza, me liga dizendo que encontrou em sua coleção um outro disco do Nelson Freire, dessa vez tocando a Sonata em si Menor do Liszt! Isso eu pude comentar aqui no Blog há uns poucos textos atrás.

E finalmente, desse momento estou digitalizando dois LPs que a Biblioteca Nacional possui em seu acervo. Só consegui essas cópais em fita K7 graças ao meu amigo Maurício Raposo que fez a enorme gentileza de ir até a divisão de música da BN em sua passagem no Rio. Os discos contém o Concerto No.3 do Prokofiev e o Prelúdio e Fuga No.21 do Bach, gravado pelo garoto de 16 anos (1963), e o Carnaval do Schumann mais 4 improvisos op. 90 do Schubert (1967).

Atualmente faltam 5 discos e para completar a coleção: Les Noces do Stravinsky gravado juntamente com a Argerich (1972), o Concerto No.05 do Beethoven (1981), o Quinteto Op.34 do Brahms e as Variações Sérias do Mendelssohn (ambos de 1982), o recital em Miami (1984), e as gravações avulsas do Noturno op. 15 no. 02. Scherzo no. 01 de Chopin (1974), e Ma Mère l’Oye e Rapsodie Espagnole de Ravel, gravadas com a Argerich (1993). Se alguém tiver alguam dessas, por favor mande-me um e-mail, estou sempre aberto para trocas.

Pra resumir essa salada imensa que eu fiz, segue abaixo a lista da discografia completa do Nelson Freire, publicada na Classic CD brasileira em Novembro 97. Quem a digitou e mandou pra mim foi meu grande amigo André Pédico. (valeu Rach! Com essa lista eu tive uma base perfeita pra busca).

1957 – Chopin – Noturno op. 27/ 01, Balada op. 52, Valsa op. Post, Mazurka op. 33 /02, Scherzo op. 20. Estudo op. 10/ 04
Long Play Radio


1963 – Prokofiev – Concerto n. 03 / Bach – Preludio e fuga 21, volume 01.
Orquestra de São Paulo, regida por Souza Lima
Mercedes Benz

1964 – Bach / Busoni – Ich Ruf zu dir Herr Jesu Christ / Liszt – Murmúrios da Floresta / Debussy – La plus que lente / Rachmnaninov – Preludio op. 32/ 12 / Chopin – Balada op. 52 / Brahms – Rapsodias op. 79, Intermezzi op. 118 / 02 , 119 / 01 e Rapsodia op. 119 / 04
Classic Riosom

1967 – Brahms - Sonata op. 05 , Capriccio op. 6 no. 02 e Rapsodia op. 119 no. 04
CBS / Sony

Schumann – Carnaval op. 09 / Schubert – Impromptus op. 90
CBS / Sony
Os impromptus foram relançados em CD ( Sony SBK 47 677)

1968 – Tchaikovsky – Concerto op. 23 / Grieg - Concerto op. 16
Filarmônica de Munique / Regida por Rudolf Kempe
CBS / Sony

Liszt – Totentanz / Schumann – Concerto op. 54
A gravação do concerto de Schumann foi considerada a melhor versão discográfica por um júri da revista francesa Diapason, e foi relançado em Cd junto com o concerto de Grieg. ( CBS Odissey MBK 46269)
O concerto de Tchaikovsky tb está disponível em CD. ( CBS Odissey MBK 46268)

1969 – Chopin – Sonata op. 58 / Liszt – Sonata em si menor
CBS / Sony

1970 – Chopin – 24 prelúdios
CBS / Sony
Ganhou o premio Edison do Disco, na Holanda . Gravaçao disponivel em CD ( Sony 714.084/2-062415)


1972 – Stravinsky – Les Noces
Argerich, Auer, Husson ( pianos) Dutoit ( Regência)
Erato


1973 -- Villa Lobos – A Prole do Bebê / Preludio das Bachianas Brasileiras no. 04 / As três Marias /
Rudepoema
Teldec ( Relançado em CD)


1974 - Chopin – Polonaise op. 53 , Balada no. 03 , Berceuse, Fantasia op. 49, Noturno op. 15 no. 02. Scherzo no. 01
Teldec ( Relançado em CD, mas fora do catálogo)


1976 - Chopin – 4 Scherzi, Prelúdio op. 45, Ecossaises op. 72 No.1
Teldec


Chopin – Noturnos op. 09 / 01, 09 / 02 , 15 / 01, 15 / 02 , 15 / 03, 27 / 01 , 27 / 02 , 32 / 01 , 72 / 01 e 72 / 02
Teldec

Relançados em CD, agora fora de catálogo.


1980 – Bach Siloti – Preludio para órgao em sol menor / Schumann – Carnaval opus 09 / Rachmaninoff – Prelúdios opus 32 / 10 e 32 / 10 / Scriabin – Sonata no. 04 / Albeniz – Evocacion / Navarra
Gravado ao vivo no Theatro Municipal do RJ em 19 / 09 / 80
Ariola


Chopin – Fantasia Improviso op. 66 / Mazurkas opp. 33 / 04 e 41 / 01 , Polonaise op. 53 , Scherzo 02, Noturno op. 15 / 02 , Valsa op. 64 / 02, Improviso op. 36 , Estudo op. 10 / 05
GeHeTon Quickborn – Germany - Relançado em CD (L’Art 18)


1981

Beethoven – Concerto 05
Filarmonica Bayer, regida por Rainer Koch
Bayer Records


1982

Rachmaninoff – Suite no. 02 ( 2 pianos) / Ravel – La Valse / Lutoslawsky – Variaçoes sobre um tema de Paganini Argerich ( piano)
CD Philips
Gravaçoes relançadas no CD Martha Argerich and friends – Duo Piano Extravaganza
( Philips 446 557 – 2)


Brahms – Quinteto op. 34
Quarteto Praga – Gerling Konzern


Mendelsohn – Variaçoes Sérias op. 54
( Gravado ao vivo, para o 15 º aniversario do Concurso e do Festival de Maryland ( EUA)
International Piano Archives at Mariland
Considerada por Harold Schoenberg do NYT como a versao em disco dessa obra.


1983

Villa – Lobos – Bachianas Brasileiras n º 03
OSB regida por I. Karabitchevsky
3M
Disponivel em CD ( JSL 143 –3)



1984

Mozart: Sonata k. 332
Schumann – Fantasia op. 17
Scriabin - Sonata nr. 04
Debussy – Reflets dans l’eau
Poisons d’or
Villa Lobos – A lenda do Caboclo - As três marias
Albeniz – Evocación – Navarra

CD Alphée (9502003)
Gravado ao vivo no Roy Thomson Hall em Toronto ( Canadá) em 25 / 03 / 84

Disque de l’anée ( Le Monde, França)
Cinq Diapasons ( Diapason, França)
Ao lado de Argerich e Arrau , foi colocada entre as melhores interpretações da Fantasia de Schumann pelos criticos da revista francesa Repertoire





Mozart – Sonata k. 331
Chopin – Improviso n. 2, Mazurkas op. 41 / 4 e 74/ 4
Debussy – Poisons d’or
Villa – Lobos – A lenda do caboclo, A prole do bebê
Albeniz – Evocacion, Navarra
Albeniz – Godowsky – Tango
Rachmaninov – Preludio op. 32 nr. 12
Gravado ao vivo no Gusmann Cultural Center em Miami em 13 / 12/ 1984
CD Audiofon ( 72023)


1985

Bartok : Concerto para dois pianos e percurssão
Argerich ( Piano)
Orquestra do Concertgebouw regida por David Zinman
CD Philips


Saint Saens – Carnaval dos Animais
Argerich ( Piano) , Kremer ( Violino) , van Keulen ( violino) , Zimmermann ( viola) , Maisky ( Violoncelo) , Hoertnagel ( Contrabaixo) , Grafenauer ( flauta) , Brunner ( Clarinete) , Steckler ( xilofone) Salmer – Weber (glockenspiel)
CD Philips

Ambos os discos relançados no Cd “Duo Piano Extravaganza – Martha Argerich and Friends
( Philips 446 557 – 2)


1993

Bartok – Sonata para dois pianos e percussão
Ravel – Ma Mère l’Oye, Rapsodie Espagnole
Argerich ( piano)
CD Deustche Grammophon
(439 – 867 – 2)



1994

Liszt - Concertos 01 e 02
Totentanz
Filarmonica de Dresden , regida por Michael Plasson
CD Berlin Classics
(00113002BC)



Na época da publicação não haviam sido lançados o CD da “Great Pianists of the 20th century, e o recente recital de Chopin pela Decca.


Identificar o ano e gravadora:
Schumman- Estudos Sinfônicos/ Papillons Op.9
Chopin- Impromptu No.2, Scherzo No.2, Andante Spinato e Grande Polonaise Brillante
Bach/Busoni - Ich Ruf zu dir Herr Jesu Christ
Bach/Siloti - Prelúdio para órgao em sol menor
Villa-Lobos- Bachianas Brasileiras No.4- Prelúdio/ As Três Marias


Obs. Só como curiosidade, reaprem na enorme intersecção que existe entre as discografia do Nelson Freire e da Guiomar Novaes. O próprio Nelson inspira muitas de suas interpretações nas gravações dela.

Muito obrigado a todos que me ajudaram nisso,
Grande abraço,
Alexandre Dias.
Brasília- DF



11 outubro 2002

Aloysio de Alencar Pinto, o último pianeiro


Algumas notas sobre essa músico notável.

Conheci o trabalho do professor Aloysio em um disco promocional que comprei no sebo, e a partir daí virei um grande admirador seu. CConsegui me comunicar com ele, em sua casa lá no Rio, e acabamos nos tornando amigos. Hoje ele possui 91 anos, com memória e lucidez impressionantes, e teve uma carreira inteiramente voltada para a música, sendo concertista de carreira, professor, diretor na Rádio MEC, pesquisador, sempre se dedicando à boa música. Ele infelizmente deixou pouquíssimas gravações, mas estas constituem verdadeiras pérolas fonográficas. Vou tentar aqui listar todas as suas gravações, e tecer alguns comentários.

Quando há três anos comprei em um sebo o LP "Os Pianeiros" (FENAB 115, 1986), não imaginava que aquele se tornaria um dos discos mais ouvidos da minha coleção, e sem dúvida um dos mais interessantes. Produzido pelo Banco do Brasil aqui em Brasília, foi organizado e encabeçado pelo produtor José Silas Xavier, e pelo prof. Aloysio de Alencar Pinto. No disco duplo, participam três grandes figuras do piano brasileiro: Carolina Cardoso de Menezes, Antônio Adolfo, e o próprio Aloysio. Vejam o repertório de autênticos pianeiros:

Disco 1
Lado A
01. Odeon
(tango de Ernesto Nazareth)
Carlina Cardoso de Menezes (curiosamente, a Carolina gravou essa peça 3 vezes ao longo de sua carereira)

02. Muchacha
(valsa de Aurélio Cavalcanti)
Antõnio Adolfo

03. Maghi
(schottisch de Raimundo Donizetti Gondim)
Aloysio de Alencar Pinto

04. Mulher
(valsa de Osvaldo Cardoso de Menezes)
Carolina Cardoso de Menezes)

05. Depoimento de Augusto Vasseur

06. Pianola
(ragtime de Sinhô) (Graças a esta gravação, a "Pianola" de Sinhô pôde chegar aos dias de hoje. Quem quiser tocá-la, no entanto, terá que tirar de ouvido, pois não foi editada. Eu fiz minha própria transcrição para partitura, tentando ser fiel ao máximo à gravação do Vasseur. O Prof. Aloysio me disse certa vez que ele mesmo também já fez um arranjo para dois pianos. Isso sim deve ser interessante)
Augusto Vasseur
Faixa do LP Sinter No. 1113, "Salda de Espera do Cinema Avenida", de 1957

07. Turuna
(tango de Ernesto Nazareth) (Outro gol de placa dos produtores do disco. Das 4 gravações que o próprio Nazareth fez em 1930, apenas duas foram lançadas em disco. As outras duas, arquivadas pela Odeon, foram lançadas pela primeira e única vez nesse disco, mais de 50 anos depois, graças ao Prof. Aloysio, que possui uma das matrizes, conseguidas a partir do acervo do Catulo quando ele morreu).
Ernesto Nazareth
Matriz Odeon No. 3942, gravada em 10/09/1930, não lançada em disco

Lado B
01. Subindo ao Céu
(valsa de Aristides Borges)
Antônio Adolfo (uma valsa muito popular no meio chorístico. Por coincidência já ouvi essa semana interpretações do Sivuca, do Arthur Moreira Lima, e do Altamiro Carrilho).

02. Sete Coroas
(samba de Sinhô) (Esta gravação prova que a Carolina não era uma simples pianeira que tocava de ouvido, mas uma exímia improvisadora que possuía ótima leitura. O José Silas tinha uma partitura desse samba com apenas a linha melódica, sem acordes ou acompanhamento de qualquer tipo, e perguntou para a Carolina se era possível fazer alguma coisa com aquela melodia. A Carolina negou, dizendo que era difícil tirar aquela música, mas no mês seguinte ela apareceu com a música pronta, e toda a parte da mão esquerda criada por ela. Outra observação: esta é a primeira gravação do "Sete Coroas")
Carolina Cardoso de Menezes

03. Morrer Sonhando
(Valsa de J. Garcia de Christo)
Aloysio de Alencar Pinto

04. Caboclinho
(tango de A. Chirol)
Antõnio Adolfo

05. O Maxixe
(maxixe de Aurélio Cavalcanti) (Na capa do disco há uma caricatura de Aurélio sentado ao piano com várias dúzias de dedos em cada mão, que foi publicada na revista O Malho de 23 de abril de 1904);.

06. Uma farra em Campo Grande
(choro de Nonô) (Outra faixa que vale a pena tirar de ouvido. O piano vira um tambor nos dedos de Romualdo Peixoto)
Nonô
Disco Columbia No. 22111, lançado em abril de 1932.

Disco 2
Lado A
01. Cauã
(valsa-choro de Sinhô)
Antônio Adolfo

02. Sultana
(polca de Chiquinha Gonzaga)
Aloysio Alencar Pinto

03. Mosquita
(valsa de Tia Amélia)
Tia Amélia
Faixa do LP Marcus Pereira MPL 9422,
"A Benção Tia Amélia", de 1980

04. Pisano em Ovos
(tango de Carlos de Abreu)
Aloysio de Alencar Pinto

05. Do Sorriso das Mulheres Nasceram as Flores
(tango de Eduardo Souto)
Carolina Cardoso de Menezes

Lado B
01. Coração que Implora
(valsa de José Ribas)
Aloysio de Alencar Pinto

02. Tempos que se foram
(choro de Alberico de Souza)
Carolina Cardoso de Menezes (Outra obra prima que é a intepretação da Carolina. Na minha opinião, a década de 80 foi a melhor fase dela, onde podemos ouvi-la no piano solo cheio de musicalidade e brilho. Felizmente ela gravou 3 discos nessa época. Os outros dois são pelo Nucleo Contemporâneo, e outro com o violinista Fafá)

03. Fon-Fon
(tango de Ernesto Nazareth)
Aloysio de Alencar Pinto

04. Lili
(schottisch de J. M. Azevedo Lemos)
Antônio Adolfo

05. É Café Pequeno
(tango de José Emygdio de Castro) (Minha música favorita desse disco. Segundo o Prof. Aloysio, ele pôde surpreender o autor dessa música, que foi dedicada a ele, com os direitos autorais dessa prensagem quando o autor tinha mais de 90 anos)

06. Alegre-se Viúva
(tango de Chiquinha Gonzaga)
Antônio Adolfo

07. Nenê
(tango de Ernesto Nazareth) (outra faixa-raridade)
Ernesto Nazareth
Matriz Odeon No.3940, gravada em 10/9/1930, não lançada em disco


Na contracapa do LP há três parágrafos sobre cada um dos intérpretes (além de um farto encarte sobre cada um dos compositores). Sobre o Aloysio é dito o seguinte:

"Nascido em Fortaleza, CE, em 1912, começou a estudar piano aos 7 anos com sua tia Hortência Jaguaribe de Alencar. Passou depois à classe de Ester Salgado Studart da Fonseca e estudou composição com Luiggi Maria Smiddio. Transferindo-se para o Rio de Janeiro, ingressou, por concurso- obtendo o primeiro lugar- no Instituo Nacional de Música, onde teve Barroso Neto como professor de piano. Merecendo medalha de ouro no fim do curso, obteve viagem a Paris, onde estudou com Nicolai Orlov e Robert Casadesus. Voltando ao Brasil, apresentou-se em todo o país. Fixando residência no Rio de Janeiro, abandonou a vida concertística, passando a compor e a pesquisar a música brasileira. Começou a compor a compor quando ainda estava no Ceará, em 1926. Gravou pela primeira vez em 1953, pela Victor, com um uma peça de Alexandre Levy e Valsa Lenta, de sua autoria.
Entre suas mais importantes obras, figura o bailado Sarau de Sinhá, original para piano a 4 mãos, gravado em Discos Marcus Pereira, pelo duo Kaplan-Parente. Foram também gravadas as suas harmonizações de cantos indígenas e afro-brasileiros, por Maura Moreira e Sônia Maria Vieira, pela PROMEUS da Funarte. Mas o principal de sua obra pertence à literatura pianística. O prof. Aloysio de Alencar Pinto foi quem escolheu seu repertório para o presente álbum."

Esse texto resume praticamente toda a produção discográfica desse homem que conheceu Nazareth em pessoa em 1921. Esse 78-RPM eu pude conseguir através do Nirez, grande colecionador de discos no Ceará, e as harmonizações de cantos indígenas também, com uma série de LPs da Funarte. O disco do Duo Parente-Kaplan tocando o Sarau de Sinhá é notável, só que, segundo o próprio compositor, ele nunca chegou a ver nenhum dinheiro pelos direitos autorais desse álbum que vendeu bastante.


Restam pois, apenas duas gravações a serem comentadas. A primeira é de 1963, data de comemoração do centenário do Nascimento de Ernesto Nazareth, onde o então direitor musical da Rádio MEC toca 12 valsas e o pianista Arnaldo Rebello toca 8 tangos (incluindo algumas polcas). São interpretações de quem viveu a Belle Époque do Rio, e tem técnica de concertista, mas com espírito de pianeiro. Eu recomendo efusivamente que vocês comprem este disco, que foi produzido pela Sociedade dos Amigos Ouvintes da Rádio MEC, e pode ser adquirido neste site SOARMEC .
Essas são as faixas:

Doze Valsas
01. Coração que Sente
02. Eponina
03. Fidalga
04. Faceira
05. Expansiva (talvez essa gravação sozinha já valha o preço do CD)
06. Pássaros em festa
07. Dirce
08. Confidências
09. Elegantíssima
10. Yolanda
11. Turbilhão de beijos
12. Elétrica
Piano: Aloysio de Alencar Pinto

Oito Peças para piano
13. Favorito (tango)
14. Nenê (tango)
15. Cuyubinha (Polca)
16. Tenebroso (Tango)
17. Ameno Resedá (Polca)
18. Sutil (Tango)
19. Ferramenta (Tango-fado)
20. Ouro sobre azul (Tngo)

Piano: Arnaldo Rebello

E a última gravação que resta comentar é uma que nunca saiu em disco. Trata-se de um depoimento que o Prof. Aloysio prestou ao colecionador Nirez, em Fortaleza. É uma gravação de extremo valor onde ele toca algumas peças no piano disponível no local, e dá uma pequena aula sobre história da música (coisa que ele adora fazer. Quando eu arrumar algum jeito de gravar telefonemas, vou registrar minhas conversas com ele).
A data eu ainda não descobri, mas deve ser, no mínimo, da década de 80.
Isso é o que contém na fita:

Depoimento de Prof. Aloysio de Alencar Pinto prestado Museu Fonográfico de Fortaleza (de Miguel Ângelo de Azevedo, Nirez)
01. Pixinguinha- Carinhoso. Arranjo próprio. Considerado por José Silas Xavier, que está para lançar um livro sobre o Pixinguinha, o arranjo mais bonito dessa peça.

02. Poor Butterfly (música que era tocadas nos bailes nas décadas de 30, 40, no Ceará)

03. Fala. Como ilustração da minha composição de uma fase que, vamos dizer, não é a primeira, mas talvez a seguda, vou tocar a valsa em fá sustenido menor, que é uma valsa seresteira, e vamos ver como é que sai nesse piano de armário, porque o piano nunca é igual ao piano de cauda, é um piano um pouco (tocato?) com um som um pouco aberto. Não sei qual será a resolução, mas vamos fazer o possível.

04. Aloysio de Alencar Pinto- Valsa em Fá# menor (dedicada a sua mãe)

05. Fala. (Se dirigindo ao Nirez) Você que possui o Museu Fonográfico de Fortaleza, naturalmente vai saber de uma curiosidade referente a essa valsa. Esta valsa foi gravada em disco de 78 rotações para a RCA Victor, talvez uma das únicas gravações que eu fiz na época em selo azul, e acoplada com o Tango Brasileiro de Alexandre Levy [N. do digitador: Duas gravações fantásticas. O único registro fonográfico de quando ele estava no auge de sua técnica]. Você tem esse disco em seu arquivo?
Nirez: Não. Gravação comercial?
Aloysio: Gravação comercial. Então vão ter que dar um jeito pra ver se você... Já que você me trouxe "O teu Cantor", que foi a minha primeira peça impressa no Ceará musical, a única impressa, é provável que você consiga arranjar essa valsa, que foi a única gravada em 78 rotações. [N. do d. Hoje o Nirez possui esse disco, pois o prof. Aloysio o presenteou com uma cópia]. As outras peças, algumas estão gravadas em Long Play. Você queria saber mais alguma coisa a propósito da compoisição?
Nirez: É bom
Aloysio: Bem, eu comecei a fazer a composição naturalmente, como se diz, como um pessoa dotada. Comecei a fazer por conta própria. Depois eu estudei harmonia aqui com o grande professor italiano, que viveu alguns anos no Ceará, e que teve o seu nome muito ligado ao Ceará. Foi o professor Luiggi Maria Smiddio. Era um grande maestro italiano, regente, professor de matérias teóricas, com que estudei harmonia aqui no Ceará. E foi o maestro Smiddio quem me deu, vamos dizer, os primeiros rudimentos da arte de compor. Eu já fazia por conta própria, mas aí tinha que que aprender "como é que é", de como fazer. Mas, apesar de ter tomado as aulas com o maestro, eu levei muito tempo sem me dedicar, sem ter tempo de me dedicar à composição. Gostava mas não levei à frente, não levei pra adiante. Pra apanhar muitos anos depois, como acabei de frisar pouco atrás.
Bem, você queria ouvir, nós tocamos aqui no (jangado ?) uma noite alguns trechos de uma suíte feita para piano a quatro mãos, e que eu entitulei de Sarau de Sinhá. É um pequeno balé, um balé em uma parte, uma espécie de divertimento coreográfico sobre cenas de uma festa no Rio antigo. Nela, eu apresento algumas danças do século XIX, danças européias que se aclimataram no Brasil, como a Polca, a Schottisch, a Contra-dança, a Valsa, que aqui chegou ainda no século XVIII, e uma série de cenas que integram o que eu denominei o Sarau. Quer dizer, a festa, misturada, um pouco festa e um pouco tertúlia porque no balé aparece um recitativo, há um poeta que declama alguma coisa, aglum soneto, versos, como era de praxe nos salões artísticos da época.
Nós vamos tocar alguns trechos da suíte, que acaba de ser executada nos Estados Unidos por Gerardo Parente, esse grande pianista Cearense, que está radicado na Paraíba, e que tocou agora em algumas cidades americanas com o pianista argentino radicado na Paraíba, Kaplan.

Nós vamos tocar a schottisch, que é uma dança que chegou ao Brasil por volta de 1851, foi muito dançada, era uma dança muito elegante, tranqüila, e que mais tarde se tornaria uma espécie de gênero-canção, porque Catulo da Paixão Cearense adaptou letra a algumas schottischs famosas da época como Rasga o Coração [Yara] de Anacleto de Menedeiros, polcas onde o grande cultor foi Callado, Joaquim Antônio da Silva Callado. Quer dizer... As polcas da suíte ainda guardam um sabor assim bastante europeu, só mais tarde é que elas se abrasileiraram porque quando a polca se tornou brasileira, daí foi meio caminho andado para o maxixe. A polca brasileira foi muito marcante na música popular brasileira porque ela está na genealogia do samba. Veio o lundu, ou por outra, antes de tudo veio o batuque. Do batuque sai o lundu. Depois o lundu se acultura com a polca, sai a polca-lundu. Depois da polca-lundu vem uma série de variações, tem a polca-tango, tem vários tipos de polca, então a polca adquire freqüências e constâncias já bem brasileiras. As polcas de Ernesto Nazareth, que hoje em dia chamam chorinho, e são todas polcas o Apanhei-te Cavaquinho, o Ameno Resedá e várias outras. Então da polca brasileira, do lundu, e da habanera sai o maxixe, e do maxixe então nós temos o samba. O samba como gênero de música urbana.

Nós vamos tocar pra começar uma schottisch, em seguida uma contra-dança, que é uma quadrilhade três seções. As quadrilhas maiores tinham cinco partes, cinco seções. E as menores três. A contra-dança, como a polca e a schottisch todas chegaram ao Brasil via Paris. Tudo o que vinha para cá vinha da França, vinha dos salões de Paris. Houve uma grande influência francesa na sociedade brasileira, e tudo vinha da Europa, especialmente da França. E depois pra encerrar, essa pequena entrevista com o Nirez, nós vamos tocar uma valsa. Uma valsa francesa, adaptada para piano a 4 mãos e que foi das mais tocadas na Belle Époque, quer dizer, fins do século XIX e começo do século XX. É uma época que, quando estudamos e quando fazemos palestras a respeito, costumamos dizer que começa a partir de 1870, 71, quer dizer, aproveitando o final da Guerra do Paraguay com o final da Guerra Franco-Prussiana, onde a sociedade européia passou a ter uma vida mais alegre, mais confortável, mais eufórica. Reflexos dessa vida vinham encontrar também uma época de desenvolvimento no Brasil. Abertura de novas avenidas, a cidade se transformava, a luta contra a febre amarela, quer dizer, tudo se urbanizava e o Rio de Janeiro viveu, numa imitação da vida francesa uma época muito requintada, com o comércio francês, tudo era francês, o nome dos restaurantes eram todos franceses, as grandes modistas, tudo tudo, tudo vinha da França. As moças falavam francês, as moças de sociedade, e a música de salão também era cantada em francês. Nós vamos reviver um pouco dessa época com essas 4 peças que vamos tocar.

Usei a expressão "vamos tocar" porque aqui vou apresentar a piansita Irany Leme, presentemente em Fortaleza em minha companhia para uma pesquisa que estamos realizando para o SESI, uma pesquisa sobre folclore no litoral do Ceará. A pianista Irany Leme foi minha aluna, trabalha comigo a vários anos, e é professora da Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Já teve a oportunidade de se exibir várias vezes aqui em Fortaleza como concertista e é com ela que eu vou fazer essa pequena execução das peças a 4 mãos.
(N. do digitador: tive o privilégio de conhecer essa figura simpática que é a profª Irany. Quando fui para o Rio no começo do ano para participar de um programa na Rádio MEC, lá estava aquela simpática senhora independente, de cabelos brancos nos esperando e que nos recebeu atenciosamente. Acabou me presenteando com um CD que ela gravou com um oboeista e que depois eu comentarei. No mesmo dia descobri que ela já deu aula para a Maria Teresa Madeira, outra gigante do piano braisleiro, na linha "técinca de pianista e musicalidade de pianeira " :)

06. Alosyio de Alencar Pinto- Sarau de Sinhá (gostaria de ter a partitura dessa peça... É a verdadeira encarnação dos saraus antigos!)
I. Schottisch
II. Contra-dança
III. Valsa

Abraço a todos,
Alexandre Dias- Brasília



08 outubro 2002

Guiomar Novaes


Sobre uma das heroínas do piano brasileiro e minha busca pelas suas gravações.

Guiomar Novaes foi sem dúvida uma pianista notável. Nascida em 1894 na cidade de São João da Boa Vista, interior de São Paulo, revelou desde cedo grande facilidade ao piano, o que em 1909, aos 13 anos, levou-a a Paris, para ingressar no Conservatório de Música. Os resultados já ficaram famosos:

"(...) Guiomar Novaes impressionou fortemente artistas como Fauré, Debussy e Moszkowski, que integravam a banca examinadora. (...) Em 1911, o Conservatório conferiu à jovem brasileira, na glória e luminosidade dos seus quinze anos, o primeiro prêmio de piano, tecnicamente referendado pela crítica mais conceituada da época e humanamente enriquecido pelo aplauso de um público numeroso, atento e entusiasta." (tirado da contracapa dos LPs da VOX)

Agora a parte que nos toca. Para nossa sorte, Guiomar deixou muitas gravações, a maioria delas feita no exterior, começando em 1919, e só findando em 1979, quando morreu aos 83 anos. Gravando com maestria Chopin, sonatas do Beethoven, concertos como o Imperador de Beethoven, os dois de Chopin, Schumman, e mesmo o de Grieg, ela sempre imprimia seu timbre único, som que só ela conseguia tirar do piano (habilidade que pode ser observada em outros gigantes como Vladimir Horowitz, Emil Gilels, e Rubinstein).

Eu mesmo há pouco mais de um ano, só conhecia uma única gravação dela: a "Marcha Turca" das Ruínas de Atenas, de Beethoven (pra quem se lembra da abertura original do Chaves, é essa aí). Mas minha atenção não foi totalmente presa por ela, até quando comecei ouvir suas gravações pela Vox, e posteriormente as primordias da Columbia e RCA Victor. Buscando na internet, acabei topando com este ótimo site http://ourworld.compuserve.com/homepages/rpassarj/guiomar.html que lista praticamente toda a discografia da pianista. Foi um ótimo ponto partida, para começar uma grande rede de trocas com outros fãs da Guiomar.

Grande parte de tudo o que ela gravou está hoje disponível em CD, e à venda via internet. Outras gravações, no entanto, permanecem em discos 78-rpm, e LPs, e estas tem sido as mais trabalhosas encontrar. Segue abaixo a listagem completa das músicas, com as respectivas gravadoras.

(Todas as seguintes gravações já foram conseguidas, a menos quando indicado)

RCA Victor
Praticamente todos os 78-rpms lançados pela RCA couberam no CD GUIOMAR NOVAES - THE COMPLETE VICTOR 78s, à venda pela Music and Arts (http://www.musicandarts.com/CD4702hi.html).

I. Philipp - Feux-Follets Op. 24 #3 - rec. 27 June 1919 (Isidore Phillip foi seu professor em Paris, e esta peça a acompanhou durante boa parte de sua vida)
A. Levy - Tango Brasileiro - rec. 1 April 1920
I. J. Paderewski - Nocturne in B-Flat, Op. 16 #4 - rec. 3 April 1920
C. W. Gluck (arr. Brahms) - Gavotte from "Iphigenia in Aulis" - rec. 9 April 1920
L. V. Beethoven - (arr. Anton Rubinstein) - Turkish March from "Ruins of Athens" - rec. 9 April 1920
F. Mendelssohn - Spring Song Op. 62 # 6 - rec. 9 April 1920
M. Moszkowski - Guitarre Op. 45 #2 - rec. 9 April 1920
F. Chopin - Mazurka in D Op. 33 # 2 - rec. 9 April 1920
F. Liszt - Waldesrauschen (Etude de Concert) - rec. 11 June 1923
F. Liszt - Gnomereigen (Etude de Concert) - rec. 11 June 1923
M. Moszkowski - La Jongleuse Op. 52 # 4 - rec. 12 June 1923
C. W. Gluck (arr. I. Friedman) - Dance of the Blessed Spirits from "Orfeo"- rec. 12 June 1923
E. MacDowell - Witches' Dance Op. 17 # 2 - rec. 12 June 1923
A. Rubinstein - Nocturne in G Op. 75 # 8 - rec. 12 June 1923
L. M. Gottschalk - Grande Fantasie Triomphale sur l'Hymne National Brésilien Op. 69 - rec. 12 June 1923
R. Strauss (arr. Godowsky) - Standchen Op. 17#2 - rec. 8 April 1927
I. Albéniz (arr. Godowsky) - Tango in D Op. 165 # 2 - rec. 8 April 1927
J. Ibert - The Little White Donkey from "Histoires" - rec. 8 April 1927
H. Villa-Lobos - O Polichinelo from "Prole do Bebê #1" - rec. 8 April 1927
L. M. Gottschalk - Grande Fantasie Triomphale sur l'Hymne National Brésilien Op. 69 - rec. 8 April 1927

Apenas uma gravação não foi incluída:
M. Moszkowski – Nocturne

Duo-Art (rolos de piano)
Década de 1920
Rolos de piano permitem que pianistas registrem uma determinada interpertação, por meio de um piano com os dispositivos necessários para isso, que fura o rolo de papel de acordo com as teclas pressionadas. A qualidade dos rolos variavam desde aquele em que só registrava as notas, até que os que captavam pedal e diâmica (forte/fraco) da música. Este último é o caso dos rolos da Guiomar.
No site www.emusic.com há os seguintes rolos disponíveis, em formato digital MP3 (para minha surpresa), como parte integrante da coleção "Masters of the Roll":


F. Chopin - Berceuse Op. 57; Etudes Op. 25 #9; Op.10 #5; Nocturne Op. 15 #2; Prelude Op. 28 #15
C. W. Gluck (arr. Brahms) - Gavotte from "Iphigenia in Aulis"
L. M. Gottschalk - Grande Fantasie Triomphale sur l'Hymne National Brésilien Op. 69
J. F. Händel (arr. Parsons) - Largo
T. Leschetizky - Etude Héroique Op. 48 #3
F. Liszt - Dance of the Gnomes
F. Mendelssohn - Spring Song Op 62 #6
Moret - Valse #1
M. Moszkowski - Guitarre Op 45 #2
I. Paderewski - Nocturne Op 16 #4
G. Sbambati - Landler (Tirolèse)
Albeniz-Godowsky- Tango ~69890
Godard - Ballet des Papillons Op. 69 ~71870
A. Rubinstein - Nocturne in G Op. 75 #8
J. Ibert - The Little White Donkey from "Histoires"

Alguns registros musicais ainda permanecem em rolo de piano, mas podem ser comprados na página da prórpia Duo-Art
http://www.duoart.com/ (se alguém tiver uma pinaola, me avise! :O)

Chopin- Etude Op.10 #5
Nieman- Night in Seville Op. 55 No. 2 ~72510
R. Schumann - Nachtstücke Op. 23 #4
Grunfeld- Romance Op.45
H. Oswald - Valsa Lenta
A. Levy - Tango Brasileiro
C. W. Gluck (arr. C. Saint-Saëns) - Carpice sur des Airs de Ballet from "Alceste"
L. V. Beethoven - Piano Sonata # 26 Op. 81a (Les Adieux)

Columbia
Recentemente foi lançado em CD o recital de 1949, no Town Hall, juntamente com outras gravações em estúdio que não haviam sido liberadas pela Columbia (não me pergunte por quê). Essas gravações estão disponíveis no CD duplo da Músic and Arts GUIOMAR NOVAES PLAYS CHOPIN & unissued studio recordings, 1940-1947 (http://www.musicandarts.com/CD4029hi.html)

Scherzo nº 3 in C sharp minor Op. 39
Sonata nº 3 in B minor Op. 58
Etude in E major Op.10 nº 3
Sonata nº 2 in B flat minor Op. 35

Recital no Town Hall em 1949:

Impromptu nº 2 in F sharp major Op. 36
Fantaisie in F minor Op. 49
24 Preludes Op. 28
Two Mazurkas (Op. 41 nº 1 and Mazurka in a minor without opus, dedicated to Émile Gaillard)
Scherzo nº 4 in E major Op. 54

Os BIS também foram incluídos:

Chopin - Nocturne in F sharp major Op. 15 nº 2
Chopin - Etude in G flat major Op. 25 nº 9
Gluck/Friedman - Dance of the Blessed Spirits
Philipp - Feux-follets

Há ainda uma série de 78-rpms pela Columbia. Felizmente metade deles foram lançados no CD da Pearl "Piano Master- Guiomar Novaes", disponível para compra hoje (link para a CDnow: http://www.cdnow.com/cgi-bin/mserver/SID=668652151/pagename=/RP/CDN/CLASS/muzealbum.html/itemid=1550699), com as seguintes gravações:

(Esse CD eu ainda não consegui, se alguém o possuir, por favor me escreva afsdias@terra.com.br :)
J. S, Bach - Toccata in D major (Fantasy and Fugue)
I. Philipp - Feux-Follets Op. 24 #3
W. A. Mozart - Rondó K 511
C. W. Gluck (arr. C. Saint-Saëns) - Carpice sur des Airs de Ballet from "Alceste"
F. Chopin - Ballade # 3 Op. 47
H. Villa-Lobos - As Três Marias
Brazilian Folk Songs (arr. G. Novaes)
O. Pinto - Cenas Infantis
F. Mompou - Jeunes-Filles au Jardin
C. Guarnieri – Toccata

A outra metade das gravações ainda está em 78-RPM, mas graças a um ex-aluno da Guiomar que conheci aqui em Brasília pude conseguir cópias:
H. Villa-Lobos - Branquinha (from "A Prole do Bebê 1")
H. Villa-Lobos - Moreninha (from "A Prole do Bebê 1")
H. Villa-Lobos - A Pobrezinha (from "A Prole do Bebê 1")
H. Villa-Lobos- seleções do Guia Prático
I. Albéniz - Triana; Evocación
D. Scarlatti - Sonatas L 8 and L 487
Daquin - L'Hirondelle
F. Couperin - La Tendre Nanette

Vox
Passando a efervecência do virtuosismo da Guiomar nos anos 20 e 30, foi na Vox que ficaram registrados os depoimentos musicais mais maduros e impressionantes da pianista. Muitas das gravações estão hoje disponíveis em caixas de CDs duplos ou triplos no site da própria gravadora (www.voxcd.com/).

W. A. Mozart - Piano Concerto # 9 K 271 (E Flat Major) - - Pro Musica Orchestra, Vienna. Hans Swarowsky (cond.)
W. A. Mozart - Piano Concerto #20 K 466 (D Minor) - Pro Musica Orchestra, Vienna. Hans Swarowsky (cond.)
E. Grieg - Piano Concerto (A Minor) Op. 16 - Pro Musica Orchestra, Vienna. Hans Swarowsky (cond.)
De Falla - Nights in the Gardens of Spain - Pro Musica Orchestra, Vienna. Hans Swarowsky (cond.)
L. V. Beethoven - Piano Concerto #4 (G Major) Op. 58 - Vienna Symphony Orchestra. Otto Klemperer (cond.)
L. V. Beethoven - Piano Concerto # 5 (E Flat Major) Op. 73 ("Emperor") - Bamberg Symphny. Jonel Perlea (cond.)
F. Chopin - Piano Concerto # 1 (E Minor) Op. 11 - Bamberg Symphony. Jonel Perlea (cond.)
F. Chopin - Piano Concerto # 2 (F Minor) Op. 21 - Vienna Symphony Orchestra. Otto Klemperer (cond.)
R. Schumann - Piano Concerto (A Minor) Op. 54 - Vienna Symphony Orchestra. Otto Klemperer (cond.)
F. Chopin - Mazurkas (selection)
F. Chopin - Waltzes (Complete)
F. Chopin - Etudes Op. 10 & 25 (Complete)
F. Chopin - 3 Nouvelles Etudes
F. Chopin - Nocturnes (Complete)
F. Chopin - Preludes Op. 28 (Complete)
F. Chopin - Sonatas Op. 35 & 58
F. Chopin - Fantasy Op. 49
F. Chopin - Scherzos #1 Op. 20, #3 Op. 31
F. Chopin - Impromptu #2 Op. 36
F. Chopin - Berceuse
L. V. Beethoven – Piano Sonatas #14 Op. 27 #2 (Moonlight); #17 Op. 31 #2 (Tempest); # 26 Op. 81a (Les Adieux); #21 Op. 53 (Waldstein)
W. A. Mozart - Piano Sonatas K 283, K 545, K 331 and Rondo K 511
R. Schumann - Symphonic Etudes Op. 13
R. Schumann - Carnaval Op. 9
R. Schumann - Papillons Op. 2
R. Schumann - Scenes from Childhood Op. 16
R. Schumann - Fantastic Pieces Op. 12
R. Schumann - Arabesque Op. 18
R. Schumann - Nachtstücke Op. 23 #4
R. Schumann - The Prophet Bird Op. 82 #7
R. Schumann - Romanze Op. 28 #2
F. Mendelssohn - Songs Without Words (Selection)
C. Debussy - Preludes Book I (Complete)
J. S. Bach (arr. Silotti) - Organ Prelude in G Minor
C. W. Gluck (arr. Sgambati) - Melody from "Orfeo"
C. W. Gluck (arr. I. Friedman) - Dance of the Blessed Spirits from "Orfeo"
C. W. Gluck (arr. C. Saint-Saëns) - Carpice sur des Airs de Ballet from "Alceste"
J. Brahms - Intermezzo Op. 117 # 2
J. Brahms - Capriccio Op. 76 # 2
J. Brahms - Waltz Op. 39 # 15
L. V. Beethoven (arr. Anton Rubinstein) - Turkish March from "Ruins of Athens"

Da Vox ainda não consegui as seguintes gravações:
O. Pinto - Scenes of Childhood
H. Purcell - Hornpipe
I. Philipp - Feux-Follets Op. 24 #3
Vuillement - Musette
R. Schumann - Piano Concerto (A Minor) Op. 54 - Pro Musica Orchestra, Vienna. Hans Swarowsky (cond.)
L. V. Beethoven - Piano Concerto #4 (G Major) Op. 58 - Pro Musica Orchestra, Vienna. Hans Swarowsky (cond.)

London
Este é um LP premiado que eu nunca tive a chance de ver ou ouvir. Até agora está sendo o mais impossível de se conseguir. No site da London Records não há sinal de algum possível relançamento em CD, e até hoje não conheci ninguém que o possua. Se alguém o tiver, por favor me avise!
F. Chopin - Barcarolle Op. 60
F. Liszt - Waldesrauchen (Etude de Concert)
F. Liszt - Gnomereigen (Etude de Concert)
F. Liszt - Rêve d'Amour # 3
F. Liszt - Valse Oubliée #1
F. Liszt - Hungarian Rhapsody # 10
C. Debussy - Les Collines d'Anacapri (Preludes - Book 1)
C. Debussy - Soirée dans Grenade (Estampes)
C. Debussy - Poissons d'Or (Estampes)
C. Debussy - Minstrels (Preludes - Book 1)

Vanguard
Todas as gravações pela Vanguard estão hoje disponíveis nos CDs “Art of Guiomar Novaes- Beethoven Sonates” e "Art of Guiomar Novaes- Chopin" (à venda na www.cdnow.com)
L. V. Beethoven - Sonatas #14 (Op. 27 #2), #26 (Op. 81a) and #32 (Op. 111) 1966
F. Chopin - Ballades #3 Op. 47 and #4 Op. 52
F. Chopin - Polonaises Op. 44 and Op. 53
F. Chopin - Etudes Op. 10 # 5 and Op. 25 #9
F. Chopin - Berceuse Op. 57
F. Chopin - Three Eccossaises Op. 72

Fermata
O álbum da Fermata-RGE (gravado no Estúdio Eldorado) é um dos mais interessantes, contendo só obras de compositores brasileiros.

F. Mignone - Velho Tema (Estudo Transcendental No.1)O. Pinto - Scenes of Childhood
M. Nobre - Samba Matuto (do Ciclo Nordestino)
A. Ribeiro Pinto - Pregão (das Imagens Perdidas)
J. Souza Lima - Improvisação # 1
C. Guarnieri - Ponteio #30
H. Villa-Lobos - Prole do Bebê #1 (Branquinha & Moreninha)
H. Villa-Lobos - O Ginete do Pierrozinho (do Carnaval das Criancas)
H. Villa-Lobos - Guia Prático (Manda Tiro, Tiro, La; Pirulito; Rosa Amarela; Garibaldi foi a Missa)
L. M. Gottschalk - Grande Fantasie Triomphale sur l'Hymne National Brésilien Op. 69

Funarte
Gravações de 1974, lançadas no CD duplo "Piano Brasileiro" (FUN 004-5M/95)
A. Levy - Tango Brasileiro
H. Oswald - Valse Lente

MasterClass
Lançado recentemente pela coleção "Grandes Pianistas Brasileiros"- Vol.2 Guiomar Novaes
Gravado ao vivo na Sala Cecília Meireles em 30 de agosto de 1969.

C. W. Gluck (arr. Sgambatti) - Melody from "Orfeo"
C. Saint-Saëns - Capricce sur des Airs de Ballet de Alceste (Gluck)
R. Schumann - Carnaval Op. 9
O. Pinto - Cenas de Infância (nº 2 and nº 3)
F. Chopin - Sonata nº 2 Op. 35
F. Chopin - Mazurka Op. 24 nº 4
L. vuillemin - Les Binious (nº 1 from En Kernéo)
L. M. Gottschalk - Grande Fantaisie Triomphale sur l'Hymne National Brésilien Op. 69

Se há uma peça que a Guiomar gostava muito de tocar, esta seria a "Grande Fantasia Triunfal Sobre o Hino Nacional Brasileiro", de L. M. Gottschalk. São pelo menos 7 gravações, fora as inúmeras vezes em que usou esta peça como BIS.

Turnabout
L. M. Gottschalk - Grande Fantasie Triomphale sur l'Hymne National Brésilien Op. 69 (live recording - Pan American Union, DC - Dec. 17, 1969 - Gottschalk Centennial)

International Piano Archives
L. M. Gottschalk - Grande Fantasie Triomphale sur l'Hymne National Brésilien Op. 69 (live recording - Hunter College, NY - Oct. 3, 1970 - Benefit Concert)

Há ainda uma gravação que descobri recentemente, em que ela toca com orquestra regida por Leopold Stokowsky (que também ainda não pude conseguir):
Berkshire (http://www.broinc.com/)
Dawson, Negro Folk Symphony {w.Guiomar Novaes, piano}. Brahms, Serenade #1. (American Symphony Orch.& Symphony of the Air/ Stokowski)

Circulando entre os colecionadores mais aficcionados, pode-se encontrar algumas preciosidades que nunca saíram em disco (gravadas a partir da platéia por heróis que levaram um gravadorzinho do dia), como os seguintes recitais:

Recital na University of California- Los Angeles 11-09-1968
Bach-Siloti- Prelúdio para órgão em sol menor.mp3
Beethoven- Sonata No.21 'Waldstein'
Chopin- Improviso No.2
Chopin- Sonata No.3
Villa-Lobos- Bachianas Brasileiras No.4- I. Prelúdio.
Villa-Lobos- A Prole do Bebê (trechos)
Chopin- Noturno
Chopin- Valsa Op.64 No.2.
BIS L. M. Gottschalk- Variações sobre o Hino Nacional.

Recital centário de Chopin- 17-10-1949
Schumman- Concerto em Lá menor
Chopin- Concerto No.1
BIS. Chopin- Prelúdio No.07
BIS. Chopin- Prelúdio No.19

Acho que termina aqui a lista de gravações da Guiomar Novaes. Se alguém descobrir outras, por favor me avise!

Abraço,
Alexandre Dias- Brasília





07 outubro 2002

Consegui a sonata em si menor do Liszt na tão sonhada gravação do Nelson Freire!!
Minha professora de piano tinha esse disco guardado, mas nem lembrava mais dele (ela também é fã do Freire). Mas, segundo ela, quando eu comecei com esse negócio de tentar juntar a discografia dele, algo na lembrança dizia que ela tinha algum outro disco dele, e voila! :O)

É um LP da CBS (No.160173), gravado em 1969 e lançado em 1970, quando o maior-pianista-do-Brasil tinha nada mais do que 25 anos. No lado A está a Sonata No.3 do Chopin, gravação relançada no volume 29 da coleção Great Pianists o the 20th Century (Phillips/Sony 456 781-2), e no lado B está a monumental sonata de movimento único que o Liszt demorou 10 anos pra compor, e dura cerca de meia hora (estou curioso para ver em quantos minutos o Nelson gravou). É o sétimo LP que o Freire gravou na vida (de um total de cerca de 30 discos até o presnte momento). Na contracapa há textos sobre Liszt, Chopin (com palavras do próprio Liszt), e Nelson Freire com alguns dados biográficos.


Mariinha Fleury, uma pianista esquecida?



Ontem um amigo me mandou cópia de um CD (valeu Vinícius!), com gravações de uma pianista que não conhecia: Mariinha Felury (com dois "i"s mesmo). O disco, entiluado "Gravações Históricas" nunca saiu comercialmente, tratando-se de uma edição comemorativa. O repertório oferece uma mistura curiosa: música clássica brasileira com obras muito bem selecionadas do Chopin. O CD é divido ao meio do seguinte modo:

1 - Henrique Oswald - IL NEIGE (1)
2 - Henrique Oswald - BARCAROLA (1)
3 - Alexandre Levy - TANGO BRASILEIRO (1)
4 - Ernani Braga - VALSA (1)
5 - Ernani Braga - TANGO (1)
6 - Francisco Mignone - VALSA DE ESQUINA Nº5 (1)
7 - Arthur Napoleão - ROMANCE OPUS 71 Nº1 (2)
8 - Alexander Scriabin - ESTUDO OPUS 2 Nº1 (1)
9 - Claude Debussy - ARABESQUE Nº1 (2)
10 - Raoul Pugno - CONVERSA NO BOSQUE (3)
11 - Frederic Chopin - VALSA OPUS 34 Nº2 (3)
12 - Frederic Chopin - VALSA OPUS 64 Nº2 (3)
13 - Frederic Chopin - NOTURNO OPUS 27 Nº1 (2)
14 - Frederic Chopin - ESTUDO OPUS 10 Nº12 "Revolucionário" (2)
15 - Frederic Chopin - ESTUDO OPUS 25 Nº1 (2)
16 - Frederic Chopin - ESTUDO OPUS 25 Nº12 (2)
17 - Frederic Chopin - FANTASIA IMPROVISO OPUS 66 (1)
18 - Frederic Chopin - BALADA Nº3 OPUS 47 (1)

(1) Gravação na residência de Mariinha Fleury em Fevereiro/79
(2) Gravação na residência de Mariinha Fleury em Maio/89
(3) Gravação no Teatro Popular do Sesi em 2 de Agosto/83

Algumas dessas gravações foram feitas quando a pianista já tinha 80 anos. A interpretação dos brasileiros é feita com muita originalidade, e musicalidade fluente. Só vêm a acrescentar para a nossa discografia brasileira. Mariinha tinha uma sonoridade muito curiosa. Essa é a gravação mais crocrante do Estudo Op.25 No.1 (apelidado de Harpa Eólica), que eu já ouvi. Outras peças de peso e de profundidade, como a 3ª balada e o Estudo Op.25 No.12 (Oceano), são vencidas com bravura, e tratadas de forma magistral.

Mas o mistério sobre ela continua, pois buscas na internet não retornaram nenhum resultado, e tampouco a Enciclopédia da Música rasileira. Tudo o que temos são as notas no encarte do CD, que não guardam elogios:

Mariinha Fleury nasceu na cidade de São Paulo em 03/08/1903, iniciando seus estudos com sua tia, Profª. Adelina Guimarães e, posteriormente, com os mestres Luigi Chiafarelli, Ernani Braga, Alice Philips, Sebastian Benda e Alfredo Cerquinho. Por motivos pessoais, interrompeu sua brilhante carreira de concertista de piano, embora nunca tenha deixado o instrumento.
Mariinha incentivou com entusiasmo os estudos musicais de muitos jovens artistas que hoje são considerados pela crítica internacional como alguns dos maiores de nosso tempo. Entre eles: Nelson Freire, Antônio Guedes Barbosa, Cristina Ortiz, Roberto Szidon, Arnaldo Cohen, Antônio Menezes, Miguel Proença, Caio Pagano e Gilberto Tinetti.

Incentivada por Guiomar Novaes, voltou a estudar nos anos 70, retornando às apresentações públicas com muita técnica e sonoridade
orquestral. Suas últimas apresentações foram aclamadas pela crítica como admiráveis, invulgares e comoventes. Em 1989 foi agraciada com um documentário em vídeo sobre sua vida e obra e, em 1993, comemorando seus noventa anos, realizou-se um grande concerto no teatro Cultura Artística com a participação de alguns dos maiores pianistas brasileiros. Atualmente Mariinha mantém-se ligada aos estudos. Esse fenômeno de longevidade artística faz dela a última herdeira vida da Escola de Luigi Chiafarelli, testemunha viva de uma época da cultura nacional.




Salve Pessoal!
Criei este blog para tornar público um de meus hobbies, colecionar gravações. Estou constantemente buscando gravações, principalmente de música brasileira antiga (se alguém pensou em choro... :). Em alguns casos, tenho tentado chegar à discografia completa de certos artistas, como Ernesto Nazareth (como compositor), Nelson Freire, Guiomar Novaes, Altamiro Carrilho, Raphael Rabello, e mais recentemente Scott Joplin.

Aqui será possível acompanhar alguns progressos (mínimos) que tenho feito.

Espero poder eventualmente fornecer informações úteis, e curiosidades sobre essa enorme discografia existente por aí, que é extremamente rica, mas que se não garimparmos, só ficaremos na massaroca que mídia tenta nos empurrar goela abaixo.

Meu e-mail é afsdias@terra.com.br, e estou sempre disposto trocar idéias e gravações,
Um abraço,
Alexandre Dias

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